fbpx

Blog

Como trabalhar a resiliência no confinamento

O colunista Sérgio Chaia do Valor Econômico, dá dicas para profissionais enfrentarem, superarem desafios e aprenderem na quarentena.

Sérgio, que é coach de CEOs e de treinadores de atletas de alto rendimento, decidiu estudar a resiliência e entender a história de pessoas que passaram difíceis períodos de confinamento, seja em campos de concentração, como prisioneiros de guerra ou sobrevivendo sozinhos em lugares inóspitos.

"Antes de tudo, reconheça a nova realidade e não resista a ela. Muito do desconforto e da dor que estamos sentindo vêm da obsessão por ter nossa vida, como era antes, de volta. Sofremos por isso não ser possível."

Reconhecer que a realidade agora é essa, assim como o fato que é nela que iremos viver por um tempo e que não sabemos o fim, gera energia necessária para aplicar novos comportamentos como:

1. Estabeleça uma rotina bem estruturada. Acho que muita gente já falou sobre isso, mas descobri que, quanto mais nosso dia a dia for planejado de um modo estruturado, quase rígido, mais você usa o tempo e não é liderado por ele. Coloque hora para tudo: exercício, alimento, estudo, trabalho e família. E lembre-se: rituais são importantes.

2. Nunca ter um propósito ficou tão importante. Portanto, crie um para conseguir motivação – e razão – para enfrentar esse período. Estabelecer uma missão traz muito mais conforto e sensação de utilidade. Pense: como vou usar esse momento a meu favor? O que posso fazer para melhorar como profissional e pessoa? Há vários caminhos. É possível aperfeiçoar o aprendizado de uma nova língua, realizar cursos on-line, planejar uma viagem para o pós pandemia, criar ações de voluntariado, aumentar a conexão com os seus filhos. Um grande amigo me disse: desperdice seu tempo aprendendo algo novo.

3. Escreva um diário. Registrar as suas emoções ajuda a entendê-las, desabafar e, principalmente, a se distanciar delas. É assim que você pode encontrar o melhor caminho para gerenciá-las. Um CEO me confessou que os seus dias retratam uma montanha-russa de emoções ("estou animado, feliz, depressivo, angustiado, tenso, preocupado, esperançoso e criativo"). Acho que todos, de alguma forma, estamos passando por esse redemoinho de sentimentos. Tamara Klink, filha de Amir que fez viagens de isolamento no mar com a família, tem o costume de escrever diários desde os 8 anos .("o diário é para ser escrito, não lido", comentou).

4. Improvise e se adapte. De soldados presos na guerra do Vietnã a quem está em casa com dois filhos pequenos, o improviso é questão de sobrevivência. Mesmo CEOs que estão fazendo várias simulações de cenários do impacto da covid-19 nas receitas sabem que é preciso um senso de adaptação gigantesco. Adaptar e improvisar também é criar. Vejo empreendedores criando produtos novos, redirecionando prioridades e até mudando o modelo de negócios central para se adaptar aos desafios do momento. Segundo aqueles que já experimentaram situações extremas, adaptação e improviso foram fundamentais para a sobrevivência.

5. Descubra o essencial. Períodos de isolamento grandes e incertos como este nos levam a uma grande batalha, demandam uma conversa profunda consigo mesmo. Conversa que a correria do dia a dia tende a postergar ou que nós adiamos, consciente ou inconscientemente, para outros momentos que nunca chegam. Pode ser que esse encontro seja desconfortável, mas ele é fundamental.

O famoso coach Marshall Goldsmith propõe o exercício "roda da mudança" . É como se você se colocasse no meio de uma pizza com quatro grandes fatias. Na parte de cima, a fatia um é a criar (o que você quer adicionar a você e a sua vida). A fatia dois é preservar (o que está bom e você quer manter). Embaixo, a fatia quatro corresponde a deletar (os hábitos e comportamento que você não quer mais carregar). Por fim, a fatia quatro corresponde a aceitar (coisas que você não gosta necessariamente, mas sabe que não é possível mudar tanto ou tudo de uma vez). Fazer esse exercício em momentos de introspecção como este pode ser valioso. Quem sabe toda essa crise desperte em cada um de nós o que temos de melhor e que a correria da rotina frenética não nos deixava descobrir.

Fonte: https://valor.globo.com/carreira/coluna/como-trabalhar-a-resiliencia-no-confinamento.ghtml


Rodapé